No teu
silêncio, ó Deus!
Eu ouço a
mais linda melodia
Nas ondas
do mar...
Ouço teu
murmúrio exposto ao vento
Que não
ultrapassa o tempo,
Que tu puseste como limite.
Oh! Pai,
no silêncio do teu amor,
Eu ouço o
cantarolar da jovem mãe!
Que embala
o filhinho,
E te
agradece por ele.
Senhor
paira o teu olhar,
E silencia
o mundo...
Pois
gritam os desesperados
E os
descontentes atravessam as ruas,
Sob as
buzinas neuróticas da vida!
Enquanto
ouço o desabrochar da infinita rosa,
Que fala
em silêncio da tua existência.
No teu
silêncio, ó Deus...
Eu ouço o
farfalhar das asas dos pássaros
Sobrevoando
o arco-íris;
Colorindo
em silêncio
A vida dos
que creem em ti;
Eu ouço o
balançar das árvores
Traduzindo
o silêncio teu
Como se
ainda ouvem as palavras
Que um dia
ouviram da tua boca.
Eu ouço no
telhado, o vento soprando...
A noite
uivando... Cantando
E a
criança chora:
Essas
vozes únicas que
O teu
silêncio emite,
Implora,
Aos homens
que olhem para ti, ó Deus!
E eu
ouço...
Eu ouço no
teu silêncio, Senhor,
O martelo
que estala furioso
Nas mãos
cheias de amor
Do filho
amado que trazia
Um olhar,
uma emoção, uma paz...
Atrás do
emudecer da tua voz.
Eu ouço
Senhor,
A oração
de mamãe
Que rasga
o universo além...
Qual um
grito alucinante!... Suplicante!
Que pede
por nós;
E para que
nunca silencie o teu silêncio
Na
natureza.
Oh!
Senhor... Eu ouço a tua voz
No
crepúsculo,
No sol que
desce lentamente
Por trás
da serra;
Recordo de
quando criaste a terra;
Silencioso
como o entardecer,
Saíste
para descansar.
No mais
profundo calar de violeta;
No
esconderijo seu entre as folhas,
Ouço o teu
bradar grandiloquente!
Numa época
atroz,
Numa era
descrente!
Procurando
dizer a todos
Que a
morte será vencida,
E o
paraíso nos espera!
No teu
silêncio, ó Deus!
Eu ouço
tudo aquilo
Que me faz
encontrar contigo;
Que me
traz de volta ao teu redor...
Onde eu
ouço a natureza...
Onde ouço
tudo, tudo...
No
silêncio do teu amor!
Desconheço
a autoria